Como usar — Torno CNC

Início

Onde cada medida da sua peça entra no orçamento. Comece pelo desenho que parece com o que você vai fazer.

O caminho

  1. Dados da máquina e Formação de preço — uma vez só, nunca mais mexe.
  2. Custo de ferramentas — o que cada aresta custa e quanto dura.
  3. Dados da peça e os processos — as medidas de hoje.
  4. Resumo — cliente, lote, PDF.

O cálculo refaz sozinho a cada número digitado. Cartão com bolinha laranja já tem algo preenchido.

Onde cada medida entra

Desbaste e acabamento externo

Uma linha na tabela para cada rebaixo. No acabamento, uma linha por passe, com o Ø que a ferramenta percorre.

Peça escalonada com vários rebaixos externos, indicando o Ø final e o comprimento em Z de cada degrau, além do menor e do maior Ø usinado no processo.
  • Ø brutoØ brutoo diâmetro de onde você parte
  • Ø FinalØ final
  • Comp. em ZComp. em Z
  • Menor Ø Usinado no ProcessoMenor Ø usinadouma vez por processo, não por rebaixo
  • Maior Ø Usinado no ProcessoMaior Ø usinadoé com esses dois que sai a rotação

Desbaste e acabamento interno

Mesma lógica do externo, de dentro para fora: o furo já existe e a barra vai abrindo.

Peça em corte com rebaixos internos, indicando o Ø final e o comprimento em Z de cada degrau, o Ø do furo e o maior Ø usinado no processo.
  • Ø do FuroØ furode onde a barra parte
  • Ø FinalØ final
  • Comp. em ZComp. em Z
  • Menor Ø Usinado no ProcessoMenor Ø usinado
  • Maior Ø Usinado no ProcessoMaior Ø usinado

Canais

Canal externo e interno entram na mesma tabela. Aqui desbaste e acabamento usam a mesma ferramenta, então são um bloco só.

Peça em corte com canais externo e interno, indicando o Ø inicial, o Ø final e o comprimento em Z de cada canal.
  • Ø InicialØ inicial
  • Ø FinalØ finalo fundo do canal
  • Comp. em ZComp. em Za largura do canal
  • Menor Ø no ProcessoMenor Ø usinado
  • Maior Ø no ProcessoMaior Ø usinado

Furos de centro

Corte de peça mostrando um furo de centro, com a cota da profundidade do furo.
  • Profundidade do furoProfundidadeaté a ponta da broca, como na cota
  • —RPM e avançoos da sua broca de centro

Furação

Corte de peça mostrando um furo profundo, com a cota da profundidade do furo.
  • Profundidade do furoProfundidade
  • —Incrementos e recuoquantas vezes a broca sai para quebrar cavaco, e quanto recua

Rosca com ferramenta

Rosca externa em corte, com a distância percorrida por passada e o passo da rosca indicados.
  • Distância por passadaDistância por passadao percurso de uma passada inteira
  • Passo da RoscaPasso
  • —Passadasquantas passadas até o perfil fechar

Rosca com macho

O macho entra e sai roscando: uma passada só, ida e volta. Deixe Passadas em 1.

Furo roscado com macho em corte, com a distância percorrida por passada indicada.
  • Distância por passadaDistância por passada
  • Passo da roscaPasso

Custo de ferramentas

Uma pastilha de quatro arestas que custa R$ 112 dá R$ 28 por aresta. Macho e broca inteiriça têm uma aresta só: o custo é o da ferramenta.

Pastilhas de torneamento, de bedame e de rosca, macho e broca, com a aresta de corte circulada em cada uma.
  • ArestaCusto da arestapreço da pastilha dividido pelo número de arestas que ela tem
  • —Vida útilminutos que a aresta aguenta cortando

Um exemplo pronto

Flange de aço: rebaixo externo de Ø50 para Ø40 ao longo de 30 mm, desbaste e acabamento, lote de 200 peças. Máquina a R$ 120/h, coeficiente 10%, margem 30%, preparação de 30 minutos.

Ciclo0:00:53
Produtividade61,23 peças/h
Custo da peçaR$ 2,92
Preço da peçaR$ 4,17
Total do lote (200 peças)R$ 834,00

Estes números saem do mesmo motor da calculadora, calculados agora.

Os três números que você decide

O resto da calculadora são medidas da peça. Estes três são escolha sua, ficam no cartão Formação de preço e você preenche uma vez só.

Custo de hora-máquina

Quanto custa para você manter a máquina ligada por uma hora — não o que você cobra.

Não sabe que número usar?

Some os custos mensais da oficina — energia, salário e encargos do operador, manutenção, aluguel, depreciação da máquina e a fatia das despesas do escritório — e divida pelas horas realmente trabalhadas no mês, não pelas horas do calendário.

Máquina parada metade do mês tem custo-hora o dobro do que parece. Errar este número para baixo é o jeito mais comum de trabalhar o ano todo e não sobrar nada.

Coeficiente de segurança

O quanto a realidade come da produção teórica. 10 a 20% é a faixa comum; na dúvida, 15%.

De onde vem essa porcentagem?

A conta do tempo de corte é o mundo ideal: máquina cortando sem parar. Na prática existe medição, ajuste de offset, retoque, cavaco que embola.

Peça nova, com processo ainda não ajustado, pede mais. Peça que você já fez mil vezes pede menos. Quando rodar o lote de verdade, compare o tempo real com o previsto: a diferença é o seu coeficiente.

Margem de lucro

Aqui a margem é sobre o preço de venda, não sobre o custo. Não é a mesma conta de somar 30% ao custo.

Qual a diferença? (vale a leitura)

Somando 30% ao custo: R$ 100 × 1,30 = R$ 130. Dos R$ 130 que entram, R$ 30 são lucro — e 30 ÷ 130 dá 23%. Você pediu trinta e recebeu vinte e três.

Margem de 30%: R$ 100 ÷ 0,70 = R$ 142,86. Dos R$ 142,86 que entram, R$ 42,86 são lucro — exatos 30%.

Se você sempre somou 30% ao custo e quer manter o mesmo preço, digite 23 aqui. Se quer mesmo 30% de margem, digite 30 — e saiba que o preço sobe.

Preparação e lote: por que o preço cai com a quantidade

O tempo de preparação, em Dados da peça, é o que você gasta montando dispositivo, zerando ferramenta e aprovando a primeira peça. Gasta uma vez, faça uma peça ou mil.

O sistema divide isso pelo lote, lá no resumo. Preparação de 30 minutos numa máquina de R$ 120/h custa R$ 60: em 2 peças são R$ 30 em cada, em 500 são seis centavos.

Deixar a preparação em zero não a faz desaparecer — só faz você pagar por ela. E é em lote pequeno que ela mais pesa.

E as três faixas embaixo do lote?

Geram, no PDF do cliente, uma tabela mostrando o preço em quantidades maiores — é o número caindo que convence a pedir mais.

Vêm preenchidas com o dobro, cinco e dez vezes o lote. Pode mudar; a partir da primeira alteração sua, param de se preencher sozinhas. Campo em branco não vira linha — para duas ou três peças, apague os três.

A caixa “acima de N peças” acrescenta o menor preço que a sua margem permite, com a preparação toda diluída. Serve de piso: não existe preço abaixo dele, por maior que seja a encomenda.

Qual PDF mandar para o cliente

PDF para o cliente

orcamento-….pdf

Preço, prazo e a tabela de quantidades. Sem nenhum custo.

Cópia interna

custos-….pdf

Seus custos e sua margem. Não mande.

No celular, o que aparece na hora de anexar é o nome do arquivo: confira se está mandando o orcamento-.

Dois detalhes do torno

Digite o diâmetro, não o raio. O sistema converte sozinho.

RPM máximo é obrigatório. É o mesmo teto do G92. Em branco, o orçamento zera — de propósito.

Onde ficam os seus dados

Tudo fica salvo neste navegador, neste aparelho. Sem cadastro, sem botão de salvar: feche a página e volte depois que o orçamento continua lá.

Mas não acompanha você para outro aparelho, e limpar o navegador apaga. Para guardar um orçamento de verdade, baixe o PDF.